LogoAgenda Cultural Cabo Verde
    ok

    Cabo Verde no centro da cultura africana em 2028

    15 de maio de 2026

    Cabo Verde foi oficialmente designado anfitrião da iniciativa “Capital Africana da Cultura” para o ciclo de 2028. O protocolo foi assinado a 22 de abril, em Rabat, Marrocos, entre o diretor executivo das Capitais Africanas da Cultura, Khalid Tamer, e o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga.


    A confirmação chega depois de um processo de candidatura que, segundo Khalid Tamer, apresentou um dossier “muito bem estruturado”, capaz de evidenciar a diversidade cultural do arquipélago, os investimentos feitos no setor e os mecanismos de apoio à promoção cultural. A proposta foi submetida à União Africana e acabou aprovada sem reservas.

    Durante as visitas a Cabo Verde, a última no início deste mês. Antes fora em abril, a Comissão das Capitais Africanas da Cultura esteve na cidade da Praia e acompanhou de perto a dinâmica cultural do país, incluindo o ambiente vivido no último Kriol Jazz Festival, realizado nos dias 9, 10 e 11 de abril.


    Mas o que representa, na prática, o título de Capital Africana da Cultura?
    A distinção implica a realização de um vasto conjunto de iniciativas culturais e artísticas, desde festivais e intercâmbios criativos até programas de capacitação de jovens nas áreas digitais e das indústrias culturais. Estão igualmente previstos debates sobre políticas públicas para a cultura, numa estratégia que pretende transformar o setor num dos motores do desenvolvimento urbano e económico.
    O programa aposta ainda na consolidação das indústrias criativas como um dos pilares de crescimento regional, reforçando o papel da cultura enquanto ferramenta de diplomacia e desenvolvimento sustentável.


    Criada em 2018 pela organização Cidades e Governos Locais Unidos de África, com o apoio da União Africana, a iniciativa “Capitais Africanas da Cultura” procura valorizar o património artístico e cultural do continente e promover a cooperação entre cidades africanas através da cultura.


    O modelo de financiamento assenta numa lógica de partilha entre diferentes entidades. Os governos nacionais e os países anfitriões assumem parte significativa dos custos, através dos ministérios da Cultura e dos orçamentos de Estado, sobretudo no desenvolvimento de infraestruturas e programação cultural. As câmaras municipais investem igualmente recursos próprios para acolher os eventos e impulsionar projetos de desenvolvimento urbano sustentável. Ao mesmo tempo, o programa conta com o apoio de parceiros internacionais, redes de cooperação e patrocinadores privados, que financiam intercâmbios artísticos e projetos culturais específicos.


    Desde a sua criação, o programa já passou por diferentes países africanos. Marrocos foi o primeiro anfitrião, com Marraquexe a inaugurar a iniciativa e Rabat a acolher as atividades continentais entre 2022 e 2023. Mais recentemente, Brazzaville e Kinshasa, capitais da República do Congo e da República Democrática do Congo, foram distinguidas conjuntamente para o ciclo 2025-2026, numa iniciativa transfronteiriça inédita.


    Em 2028, será a vez de Cabo Verde assumir o palco continental da cultura africana.