Cabo Verde foi oficialmente designado anfitrião da iniciativa “Capital Africana da Cultura” para o ciclo de 2028. O protocolo foi assinado a 22 de abril, em Rabat, Marrocos, entre o diretor executivo das Capitais Africanas da Cultura, Khalid Tamer, e o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga.
A confirmação chega depois de um processo de candidatura que, segundo Khalid Tamer, apresentou um dossier “muito bem estruturado”, capaz de evidenciar a diversidade cultural do arquipélago, os investimentos feitos no setor e os mecanismos de apoio à promoção cultural. A proposta foi submetida à União Africana e acabou aprovada sem reservas.
Durante as visitas a Cabo Verde, a última no início deste mês. Antes fora em abril, a Comissão das Capitais Africanas da Cultura esteve na cidade da Praia e acompanhou de perto a dinâmica cultural do país, incluindo o ambiente vivido no último Kriol Jazz Festival, realizado nos dias 9, 10 e 11 de abril.
Mas o que representa, na prática, o título de Capital Africana da Cultura?
A distinção implica a realização de um vasto conjunto de iniciativas culturais e artísticas, desde festivais e intercâmbios criativos até programas de capacitação de jovens nas áreas digitais e das indústrias culturais. Estão igualmente previstos debates sobre políticas públicas para a cultura, numa estratégia que pretende transformar o setor num dos motores do desenvolvimento urbano e económico.
O programa aposta ainda na consolidação das indústrias criativas como um dos pilares de crescimento regional, reforçando o papel da cultura enquanto ferramenta de diplomacia e desenvolvimento sustentável.
Criada em 2018 pela organização Cidades e Governos Locais Unidos de África, com o apoio da União Africana, a iniciativa “Capitais Africanas da Cultura” procura valorizar o património artístico e cultural do continente e promover a cooperação entre cidades africanas através da cultura.
O modelo de financiamento assenta numa lógica de partilha entre diferentes entidades. Os governos nacionais e os países anfitriões assumem parte significativa dos custos, através dos ministérios da Cultura e dos orçamentos de Estado, sobretudo no desenvolvimento de infraestruturas e programação cultural. As câmaras municipais investem igualmente recursos próprios para acolher os eventos e impulsionar projetos de desenvolvimento urbano sustentável. Ao mesmo tempo, o programa conta com o apoio de parceiros internacionais, redes de cooperação e patrocinadores privados, que financiam intercâmbios artísticos e projetos culturais específicos.
Desde a sua criação, o programa já passou por diferentes países africanos. Marrocos foi o primeiro anfitrião, com Marraquexe a inaugurar a iniciativa e Rabat a acolher as atividades continentais entre 2022 e 2023. Mais recentemente, Brazzaville e Kinshasa, capitais da República do Congo e da República Democrática do Congo, foram distinguidas conjuntamente para o ciclo 2025-2026, numa iniciativa transfronteiriça inédita.
Em 2028, será a vez de Cabo Verde assumir o palco continental da cultura africana.

Cabo Verde no centro da cultura africana em 2028
15 de maio de 2026
