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    Kontornu começou com corpo, cor e homenagem

    12 de maio de 2026

    Desde segunda-feira, 11 de maio, e até ao próximo sábado, o corpo da dança tomou conta da cidade da Praia. A 3ª edição do Kontornu - Festival Internacional de Dança e Artes Performativas, começou na cidade da Praia e termina no Tarrafal de Santiago, numa espécie de viagem em movimento entre palcos e encontros.

     

    A abertura oficial aconteceu no Auditório Nacional Jorge Barbosa. A noite arrancou com a homenagem à bailarina e coreógrafa Marlene Freitas, uma das figuras mais respeitadas da dança contemporânea internacional. Depois de passar toda a tarde a orientar um workshop, subiu ao palco entre aplausos demorados. Agradeceu a distinção, falou do poder transformador da dança e, com sinceridade desarmante, pediu desculpas por nunca antes ter atuado na capital do país.

     

    Natural de São Vicente, Marlene mudou-se para Portugal para estudar na Escola Superior de Dança de Lisboa e na Fundação Calouste Gulbenkian. Em 2018 recebeu o Leão de Prata da Bienal de Dança de Veneza, distinção que a consagrou como uma das criadoras mais marcantes da sua geração.

     

    Depois da homenagem, o palco mudou de respiração. A Companhia de Dança Raiz di Polon apresentou uma performance que cruzou duas das suas obras emblemáticas: "CV Matrix" e "Ruínas vs Humanos". Havia ali memória, fantástica performance, boa envolvencia e uma certa nostalgia bonita de reencontro.

     

    "CV Matrix", criada por Mano Preto com música de Orlando Pantera, estreou em 2000 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no ciclo Nova Dança Africana. Já "Ruínas vs Humanos" subiu pela primeira vez ao palco em 2003, no Mindelact, em São Vicente. As duas peças regressaram agora fundidas numa mesma performance.

     

    No fim da atuação, Mano Preto explicou que o espetáculo serviu também para reunir bailarinos do grupo hoje espalhados pelo estrangeiro e prestar homenagem a Orlando Pantera. Disse ainda que a companhia fez um esforço enorme para trazer quatro elementos residentes fora do país, encarando essa presença como uma contribuição para o próprio festival.

     

    Fundada em 1991, a Raiz di Polon continua a ser uma referência da dança contemporânea cabo-verdiana, misturando movimentos modernos com raízes tradicionais das ilhas.

     

    A fechar a noite surgiu a energia da Curitiba Companhia de Dança, do Brasil. O palco ganhou mais cor, mais intensidade e uma vibração inspirada nas matrizes africanas presentes na Umbanda e no Candomblé.

     

    No final, a bailarina Nicole Vanoni mostrava-se orgulhosa da presença neste festival. Era a primeira vez que a companhia atuava em Cabo Verde, e em África, como ela sempre repetiu "é o nosso quarto continente que levamos a nossa arte".