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    Gabriela Rodrigues e Palhin Vieira
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    Gabriela Rodrigues: aprender o mundo, tocar Cabo Verde

    3 de setembro de 2026

    A guitarra de Gabriela Rodrigues foi o ponto de partida para uma noite de encontro entre gerações. De um lado, quem aprende na Escola de Música Pentagrama. Do outro, músicos experientes, referências da música cabo-verdiana, convidados para partilhar o palco com uma jovem que, aos 21 anos, vai construindo o seu caminho na música.

     

    Gabriela juntou colegas e amigos da Pentagrama e convidou músicos como o Quarteto Ano Nôbu +1 (composto por Africano, Nonó, Quim di Nanda e David Mendonça), o guitarrista Palhin Vieira e o saxofonista Paul Fara Gomis. O resultado foi um encontro de gerações, um concerto de qualidade, agradável e marcado por sucessivos aplausos, numa viagem por um repertório que cruzou a música clássica cabo-verdiana e brasileira com a música tradicional de Cabo Verde.

     

    O concerto aconteceu na noite desta quarta-feira, 2 de setembro, no Auditório do Centro Cultural Português da Praia. Há um ano, o mesmo palco recebia o primeiro concerto tendo também Gabriela Rodrigues como protagonista, então de férias em Cabo Verde, depois de concluir o primeiro ano da licenciatura em Music Culture, na Eszterházy Károly Catholic University, na Hungria.

     

    Um ano depois, a história repetiu-se, embora com novos protagonistas e outra maturidade. Aproveitando a presença de Gabriela na cidade da Praia, novamente de férias, a Escola de Música Pentagrama promoveu mais um concerto, desta vez colocando-a lado a lado com alguns nomes conceituados da música cabo-verdiana.

     

    Mais uma vez, a sala encheu-se. E, no final, a resposta do público foi dada em forma de aplausos prolongados.

     

    A noite começou ao piano, com solos de Gabriel Miranda e Rafael Gonçalves, alunos da Escola Pentagrama. Depois, foi a vez de outros colegas e amigos subirem ao palco. Cerca de duas dezenas de alunos da escola participaram no concerto, muitos deles ligados, de uma forma ou de outra, ao percurso musical de Gabriela.

     

    Para a jovem guitarrista, subir ao palco ao lado de músicos que admira é motivo de orgulho, mas também de responsabilidade. "É uma grande honra tocar a música tradicional cabo-verdiana. Apesar de estudar música clássica no ensino superior, o meu foco é formar-me na música, regressar a Cabo Verde e contribuir para a nossa música", afirma.

     

    Gabriela não esconde a felicidade por ter partilhado o palco com músicos que considera “incríveis”. Tocar ao lado deles, diz, serve também de motivação para continuar a estudar, praticar e procurar crescer enquanto instrumentista.

     

    E quando a pergunta é sobre o que representa a música tradicional cabo-verdiana para si, a resposta surge acompanhada de um sorriso. "Sou cabo-verdiana… está em mim. E todos os cabo-verdianos têm isso na alma. Eu, que estudo música, sinto que é basicamente a minha essência e aquilo que é suposto eu fazer cada vez melhor. A música tradicional também me representa como pessoa e como cabo-verdiana."

     

    Há ainda outro sonho. Gabriela olha para o universo da guitarra e percebe que são poucas as mulheres guitarristas com visibilidade. Quer, por isso, construir o seu próprio caminho e, no futuro, tornar-se uma referência capaz de inspirar outras pessoas a seguirem as suas vocações. Entre os objetivos está também o de transcrever músicas cabo-verdianas para pauta, contribuindo para a preservação e transmissão do repertório musical do país.

     

    Quem acompanha este percurso desde o início é o professor Tó Tavares, responsável pela Escola Pentagrama, desde sua criação há 35 anos, a instituição tem mantido, segundo o professor, uma dupla missão: ensinar música e criar oportunidades para que os alunos experimentem o palco desde cedo. “Vejo tantos talentos à minha frente na escola. É partilhar o que vejo com os outros e estar neste auditório”, afirma. Em janeiro deste ano tinha sido a aluna Alicia Freitas, que acabou por participar no Atlantic Music Expo 2026.

     

    Para Tó Tavares, a experiência de palco é parte fundamental da formação. Permite aos alunos trabalhar a componente artística, ganhar confiança e habituar-se ao contacto com o público. A metodologia da Pentagrama, explica, assenta no ensino clássico, procurando trabalhar o rigor e a estética, mas sem afastar os alunos da música cabo-verdiana.

    É nesse cruzamento entre técnica, tradição e experiência de palco que Gabriela foi crescendo.

     

    Natural da cidade da Praia, começou a aprender guitarra na Escola Pentagrama em dezembro de 2021, com 16 anos de idade, ainda em plena pandemia de Covid-19. Quatro anos depois, a guitarra já a levou para longe de casa. No próximo ano letivo, iniciará o terceiro e último ano da licenciatura em Music Culture, na Hungria.

     

    Depois da licenciatura, pensa continuar os estudos com um mestrado na área da música. A escolha concreta ainda não está feita. Por agora, há uma certeza: Gabriela quer aprender mais, tocar mais e regressar a Cabo Verde com aquilo que vai acumulando pelo caminho.

     

    Neste concerto, no palco do Centro Cultural Português, a guitarra foi mais do que um instrumento. Foi uma ponte entre a escola e o palco, entre quem ensina e quem aprende, entre a música clássica que Gabriela estuda na Europa e a música tradicional cabo-verdiana que, como ela própria diz, “está em mim”.

     

     

    Décio Barros

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