A 42ª edição do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas, na ilha de São Vicente, arranca hoje, 6 de agosto, com uma atuação única do músico brasileiro Léo Santana, marcada para as 21h00. Ao longo de quatro dias, o festival contará com 12 atuações musicais. O regresso deste grande certame acontece depois de, no ano passado, a sua realização ter sido cancelada apenas cinco dias antes do arranque, devido à tragédia provocada pela Tempestade Erin, que afetou sobretudo a ilha de São Vicente. O impacto do fenómeno foi de tal dimensão que levou ao cancelamento de todos os festivais de música previstos em Cabo Verde até ao final de 2025.
O festival mais antigo e emblemático de Cabo Verde não vive apenas dos grandes nomes do cartaz. O certame é conhecido, sobretudo, pelo espírito de convívio que o caracteriza desde a sua primeira edição, realizada em 1984. A iniciativa nasceu de um grupo de jovens que frequentava a Galeria Nho Djunga, na cidade do Mindelo, inspirados pelo filme Woodstock (1970). Assim nasceu, de forma resumida, um festival fora da cidade, tendo como palco a Baía das Gatas, localizada a cerca de 11 quilómetros do Mindelo.
Leandro Silva de Santana, nascido em Salvador, no ano de 1988, conhecido artisticamente como Léo Santana, é cantor, compositor e percussionista brasileiro. É um dos maiores nomes do pagode baiano, projetando-se internacionalmente com o êxito "Rebolation". No YouTube, os seus videoclipes acumulam mais de 3,16 mil milhões de visualizações.
Ao longo da sua história, o Festival da Baía das Gatas habituou o público à presença de artistas brasileiros e de grandes nomes do reggae internacional. Pelo palco do festival já passaram músicos como Ivete Sangalo, Ludmilla, Xamã, Joelma, Paula Fernandes, Jorge Aragão e Dudu Nobre.
A segunda noite do festival, na sexta-feira, arranca às 21h30 com o espetáculo Encontro de Vozes, que reúne Tito Paris, Ceuzany, Diva Barros e Elly Paris. Segue-se a atuação da histórica banda Cabo Verde Show, num regresso aos ritmos nostálgicos que marcaram gerações. Depois sobe ao palco Dieg, um dos talentos emergentes de São Vicente. A noite encerra com os Ferro Gaita, a banda da ilha de Santiago com maior longevidade em atividade e uma referência incontornável da música cabo-verdiana. Em 2026, o grupo celebra 30 anos de carreira e lançou recentemente o álbum "Tokadores di Gaita".
No sábado, terceira noite do festival, os espetáculos começam às 21h00 com uma homenagem à energia do Carnaval do Mindelo. O alinhamento reúne alguns dos maiores intérpretes das músicas carnavalescas da ilha: Costantino Cardoso, Anísio Rodrigues, Edson Oliveira e Gai Dias.
Segue-se Hélio Batalha, rapper que este ano conquistou o prémio de Melhor Artista de Hip Hop nos Cabo Verde Music Awards (CVMA), realizados no Mindelo. Depois é a vez de Garry, também da ilha de Santiago. Dono de um repertório marcado por temas românticos, o cantor é um dos artistas mais acarinhados pelo público de São Vicente.
O encerramento da noite será ao ritmo do reggae, género que raramente falta na Baía das Gatas. O palco recebe Tiken Jah Fakoly, um dos maiores ícones do reggae africano contemporâneo. Conhecido pelo forte ativismo político, o artista utiliza a música como instrumento de denúncia contra o colonialismo, a corrupção e as injustiças sociais. Natural da Costa do Marfim, nasceu em 1968.
A última noite do festival, no domingo, contará com três atuações, a partir das 18h30: Black Side, Lixandro Cuxi e MC Cabelinho.
Os Black Side, um dos grupos pioneiros do hip hop em Cabo Verde, regressaram aos palcos nos últimos anos e prometem revisitar os temas que marcaram várias gerações, especialmente em São Vicente.
Segue-se Lixandro Cuxi, cabo-verdiano nascido na Europa, que alcançou projeção internacional ao vencer a sexta temporada do programa The Voice França, em 2017. Nos últimos anos, tem reforçado a ligação às suas raízes, interpretando com sucesso um repertório maioritariamente em crioulo.
O encerramento da 42ª edição estará a cargo de MC Cabelinho, um dos principais nomes do trap e do funk brasileiro contemporâneo. Além da carreira musical, destaca-se também como ator em produções televisivas e plataformas de streaming. Natural do Rio de Janeiro, onde nasceu em 1996, soma mais de três mil milhões de visualizações no YouTube, consolidando-se como um dos maiores fenómenos da música urbana brasileira.
Crónica de Décio Barros





